Não, não preciso de leitores. Talvez qwert tenha razão. Preciso apenas de palavras novas, de pensamentos novos, de manhãs novas com sóis novos. Essa mania de mudança me deixa enraizada nos eternos começos. Começo algo e já não me basta, me sufoca, me antecipo. Então pulo para um outro começo que parece mais promissor, mas que não deixa de ser começo, e nunca tenho poemas até o fim. Já estou há seis meses com a mesma profissão, com a mesma casa, com a mesma rotina. E as mudanças como diabinhos cochichando em meus ouvidos... Queria ao menos poder fazer arte. Algo que me libertasse do cotidiano miúdo mesmo que continuasse com ele. Meus sonhos se chocam com a minha rotina como bolas de bilhar. Os dias passando, as notícias passando...e a inspiração engasgada na minha garganta como a secreção daquela tosse mal sarada, que insiste em não ir nem ficar. Se ao menos eu pudesse fazer arte, qualquer uma. Se meu nariz pudesse respirá-la, nem que fosse a arte de lavar louça ou de pegar um ônibus. A arte que falta está em meus olhos e ouvidos viciados pelo tédio. A arte que falta esteja talvez na falta de aplausos, não os que eu recebo, mas os que eu dou. E dos leitores que eu talvez precise, mesmo, o que me falta é o intusiasmo de escrever.
Escrito por Flávia Donadelli às 01h36
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