E então quando escrevo sou eu; sou tão eu que chego a doer. Não tem sorriso torto, não tem risada sem graça, olheira, some o esforço em agüentar a vida, eu mesma, os outros. Todo aquele esforço em criar comentários, aquele esforço de ser e estar entre os demais, no almoço, na janta, some. Aqui eu sou sem querer nem pedir. Sem nem poder...mas a tela foi feita em branco pra isso, para os desafios.
E em estar tão sozinha e silenciosa consigo ouvir tantas vozes que me confundo. E essas vozes brotam como explosões que contive, que matei e multilei, pois é só o que me resta fazer ao suportar terças-feiras. O convite surge e posso pintar minhas cores, que nem são tantas, mas são primárias.
Escrito por Flávia Donadelli às 23h29
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