Procurei em um milhão de poetas uma expressão pra minha alegria inflamada, pra minha tristeza periódica ou pra minha apatia incontrolável.
Hoje não consegui encontrar.
Procurei a verdade em uma manhã de sol, em território estrangeiro e gélido. Procurei ouvir o assobio compulsivo dos pássaros em momento pré-primavera, mas não me encontrei.
Busquei músicas, palavras sábias, conselhos aleatórios que pudessem me definir. Mas minha alma continuou esse mar inalcançável de contradições quotidianas e busca indefinida.
Fui recorrer, desesperançada, a crenças, cultos e segredos; mas além da aventura antropológica de observar a fé, terminei sem respostas.
E não faz mal se me realizo na biblioteca, se um dia que acordo mal humorada os livros não me entendem. E não faz mal se amo, adoro, estimo; se estou sempre a perder-me nas dúvidas ou na saudade.
O que faz mal então dever ser permanecer feliz e bobo por tempo que exceda a validade das inadaptações. O que faz mal, então, deve ser não se buscar. Não se perguntar diariamente: quem sou eu?... mesmo se já saibamos que não virão respostas outras que mais perguntas.
Escrito por Flávia Donadelli às 12h13
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