Procurei no Google: um-rumo-pra-vida. Meu computador me olhou estúpido e entediado refletindo meus olhos. Observei o espelho redondo do banheiro procurando rever a história dessa feição apática; tive que enfrentar a turbulência sólida de todos aqueles amanheceres que me fizeram isto; "Donna" de um futuro ausente. Caminhei aqueles quarteirões tentando isolar na cabeça a poesia que me tornasse menos bicho, mais gente. Fui somente aquelas belas palavras pelos 3 minutos nos quais pude sonhar. Então abri os olhos e vi aquela curva a me lembrar do espelho estático e de todas as páginas que não puderam ser exibidas do meu futuro ausente. Tive medo de não sair mais da bolha espelhada que voava para o alto (e não para frente) pra me mostrar melhor o universo de meu interminável vazio. Tudo tão distante e vago que as certezas se atiraram com as vontades. Eu as vi despencar suavemente, rumo ao abismo de meus planos. Porém, não...não era tudo. Meu drama tolo resolveu acontecer sem permissão e precisou de uma atriz de choro fácil; me chamou, nem que fosse só por 3 quarteirões ou 7 parágrafos jogados no fim de um caderno.
Escrito por Flávia Donadelli às 23h55
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