Cruz e sangue
Carne nova, sangue fresco. Borbulhando de utopias baratas a ânsia era a pior amiga. Olhos fechados pra coragem vir, olhos abertos em desespero. Pouca raiz, sentido escuso. Manta nova de espinhos para acompanhar o sono do recém-nascido. Pontadas de dor e o choro desaguava em sangue. A alma pedia abrigo naquilo que só podia mesmo trazer tempestades de neve. Era saudade do útero? Era vontade de amar? Veio tudo ao contrário, a noite antes do dia, o sonho antes do sono, o reflexo antes do espelho. A poesia antropológica nos levaria ao tudo ou nada que éramos. Econtrou-se o nada, encontrou-se a vazia ventania de árvores mal tidas, mal queridas pelos cascalhos do chão. Não seria possível.A cor rosa da flor do jardim, era do jardim, só dele. Não seria possível tocar aquela estrela ,excludente, apesar de terrestre. Restaria o que além de caminhar com passos lépidos pela acolhedora cruz dos mortos?
Escrito por Flávia Donadelli às 19h50
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